Senciência é a "capacidade de sofrer ou sentir prazer ou felicidade". A palavra senciência é muitas vezes confundida com sapiência, que pode significar conhecimento, consciência ou percepção. As duas palavras podem ser diferenciadas olhando-se suas raízes latinas: sentire é "sentir" e sapere é "saber".

Hoje, a maioria dos cientistas concorda que todos os animais vertebrados – mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes – são, em graus variados, sencientes. Mas essa perspectiva nem sempre foi popular.

Historicamente, por exemplo, a vida do mar raramente aspirava preocupação quando se tratava de sua capacidade de sofrer. Porém, experimentos meticulosos realizados em trutas uma década atrás concluíram definitivamente que peixes podem sentir dor.

Há agora também apoio científico para a senciência em pelo menos alguns invertebrados. Na pesquisa da bióloga canadense Jennifer Mather, polvos mostraram curiosidade, brincabilidade e personalidade.

E em um estudo liderado por Robert Elwood na Universidade Queens Belfast (Irlanda do Norte), camarões passaram mais tempo acariciando sua antena machucada, a menos que tivessem recebido um anestésico.

Voltando aos peixes, eles são animais altamente evoluídos. Comportam-se mostrando medo, emoção, raiva, prazer e ansiedade. Seus cérebros produzem os mesmos compostos que acompanham as emoções em mamíferos. Demora 48 horas para que os níveis de hormônio dos peixes voltem ao normal após eles serem manipulados de maneira áspera, como serem pegos por pescadores e colocados em pequenos baldes.

Em recifes de coral, as interações entre peixes-limpadores e seus clientes são ricas em consciência e emoção. Limpadores fazem propaganda de seu negócio. Clientes fazem fila pelo serviço de limpeza. Ambas as partes se beneficiam: os limpadores conseguem comida, e os clientes ficam sem parasitas e outras sujeiras indesejáveis.

Este não é um arranjo à toa. Os clientes têm seus limpadores favoritos, outros peixes observam essas interações para escolher quem eles acham que limpa bem e alguns limpadores até tratam melhor o cliente (sem morder sua pele, por exemplo) se há um chefe por perto.

Hoje, os cientistas estão fazendo perguntas sobre a vida dos animais como nunca fizeram antes, diz Blacombe. Conforme as suas conclusões emergem, ganhamos uma perspectiva mais esclarecida das diversas emoções animais. “Isso me dá otimismo de que as expressões negligentes e abusivas da relação homem-animal irão evoluir através da compreensão, na direção da compaixão”, afirma o biólogo. 


Redação Anhambi com [LiveScience]